Série: Em Algum Lugar do Passado - Sombras


            Sombras que deveriam ser brumas me assustam, principalmente, quando chego perto das pessoas...
Essa angustia. Essa vontade de não ser. A vida resumida a momentos sozinho e desespero por e-mails não recebidos. Não compreendo muito bem a verdade das coisas. Não compreendo, nem de longe, o que vem a ser.
Você olhou pra mim como se não estivesse feliz e eu comecei a entender um pouco porque as pessoas suicidam. Todas as paredes da cidade me pareciam altas demais mesmo que estivessem em meus pés. Algumas coisas se explicam e não se fazem entender...
Certas vezes a certeza inunda de claridade a visão de quem as tem. Certas vezes a claridade dura somente tempo bastante para se certificar que a derrota é eminente ou que a vitória será difícil.

Durante alguns instantes me faltaram palavras que poderiam ser descritas em frases cheias ou sem nenhum sentido. Eu fiquei sem escrever... e no que tange minha consciência acho que nunca fui tão sozinho.
As palavras me acusam sem que eu possa, nem ao menos, proteger-me de seus sentidos múltiplos, seja empregada pelos homens, seja pela minha incredulidade punitiva.

As coisas estão se configurando diferentemente do que faziam a algum tempo. Pela primeira vez eu tenho medo da vida. Pela primeira vez algo começa a me fazer realmente falta. E é estranho não saber o que é ou o que fazer... Não me configuro entre meus sonhos em filmes de guerra ou mesmo nos versos das minhas canções de amor (Apud, HG).

Me entorpece acordar com a fragrância de rosas frescas. Com o tempo comecei a sentir que seu cheiro purificava minhas narinas empreguinadas de nicotina. Noites passadas sem conseguir dormir. Entre bares e cavernas podia reviver meus tempos débeis de irracionalidade. Tempo em que eu podia fugir das verdades e dos amores.
É límpida a noção de que não consigo lhe esquecer, e me enlouquece a perpétua verdade de que não posso lhe ter por perto.


Storto... Agosto de 2004

Comentários

  1. Você escreveu isso durante o tempo em que dividia o quarto com Tim Burton? hehe

    É bom olhar para trás e ver que o suportamos.
    "Bom?". Você pergunta.
    É. Acho que sim.

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  2. É, mas pode ser do tempo de Vincent Price ou Christopher Lee. rsss
    Muito Bom... Creio que sim...

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  3. Ao ler esse post, me lembrei da música "Nunca mais" do Engenheiros do Hawaii. Seus textos são repletos de saudosismo. As vezes me sinto assim tb, saudade do que foi e saudade do que ainda nem chegou a ser... Me identifiquei com suas palavras...

    Sucessos...

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  4. Obrigado!
    Bela lembrança!
    E a tradução da letra original também é bem interessante.
    Acredito que a saudade é nossa capacidade de lembrarmos o que nos faz, nos cria, nos recria e nos torna melhores, ou nos entorpece e submerge...
    Então viva a Saudade!

    Storto...

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