Carta a LOPES III - Parte 1


Nobre Amigo,

Cansei de tentar me desculpar pelas falhas que são tão humanas e tão chatas ao mesmo tempo. Mas se serve de informação para interpretação alheia: Ainda calo a boca de quem disse na década de cinqüenta que o avanço tecnológico serviria para que tivéssemos mais tempo livre no futuro. O futuro dele já passou e temos cada vez menos tempo.

Sua precisão interpretativa me deixa estupefato. De fato estou envelhecendo, mas há quem diga que já nasci assim. Não duvido. Mas com o passar dos anos as percepções se alargam, e temo que a descrença nas pessoas com ela. 

Agradeço pela atenção cultural dispensada. Faz-me bem perceber que alguns ainda se satisfazem com a valoração correta de nosso legado. Triste é perceber que, assim como os mitos, nossa história será folclórica. Sangue transformado em bandeira. Sofrimento em valentia. Dor em sacrifício. Talvez um hino, um dia. Talvez o esquecimento das gretas que escondem a verdadeira história das coisas.

Passo por um período de transição, e não vou cair no erro de Morpheus. Acredito que, assim como a filosofia oriental, é provável que nossas indesejáveis carcaças estejam mais para “as coisas mudam o tempo todo”, todavia, com um leve toque na aceleração dos fatos. Não o fosse estaríamos fadados aos pensamentos comuns, e de simples basta nossa composição cromossômica.

STORTO... 02-12-2012

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