Eu e o outro cara que sabia voar


      Existe esse cara peculiar. Ele, simplesmente sabe voar. Não como super-homem, justificado por teorias absurdas envolvendo as cores de sóis ou fragmentos verdes de pura besteira. Não, caros leitores, esse cara tem a “técnica”.
      Fica complicado explicar algo tão envolvente e surpreendentemente simples sem o mínimo de contextualização. Voltaremos ao ano de 1986. Pule uma linha, faz favor.
      Elucubração nº 1: Os sonhos lúcidos são os que podem constrangê-lo pela manhã.

      Em 1986, Chernobyl bum! Falcão (o do futebol) tinha cabelo, Master of Puppets foi parido e Top Gun fez sua mãe chorar. Não porque o filme era uau! Que Titanic dos anos 80! O fato é que nenhum marido era páreo na época para Tom Cruise e Ray Ban juntos. Bom, esqueça o cara que aprisiona a família em nome da cientologia. Nesse fatídico ano, o outro cara, o desta dimensão, se fodeu pela primeira vez.
      Hum! Tinha esquecido de mencionar esse detalhe, né? Pois, bem. Vai fazer sentido. E meu relato incorpora palavrões eventuais. Nada exagerado.  Um putaqueopariuzinho de nada de vez em quando. Os palavrões são uma forma riquíssima de empobrecer um texto ou proporcionar síntese ao extremo. Prefiro pensar que xingar é bom para ser enfático.
      Passava na TV um episódio de Liga da Justiça. O cara daqui, que chamaremos de Pedro Malasartes ou Pedro, se preferir, amarrou uma frauda no pescoço e sentiu esse impulso. Um élan na época lógico. “Ele tem cabelo preto, eu também. Ele usa cueca sobre a calça, eu só cueca, ele tem olhos azuis e eu gosto de Alf, o E.Teimoso. Logo, eu também posso voar”. Pedro tinha uns seis anos e pulou de um muro relativamente alto rumo a fratura da mandíbula. Seu primeiro e último vôo.
      Elucubração 2: Dios é divertido. As escrituras dizem que crendo, alguém pode fazer peripécias dignas de Chriss Angel. Uma criança crê piamente em absurdos que pode realizar, mas nenhuma anda sobre as águas quando se atira numa piscina funda ou voa quando deseja. Rái ai.

      Em outra dimensão, o moleque usava botas ortopédicas. Eu sei, chato para caramba, não? Errado. As botas foram indicadas para melhorar o desempenho das corridas. Esse cara que chamaremos de João tinha que pegar impulso antes de alçar vôo. E aos seis, já passava da hora de começar a ir para escola planando.

CONTINUA... Eu acho.

LOPES - 01-12-2010

Comentários

  1. Amigo véio, gostei do guri pronto pro vôo. Déja vu retado.

    Muito bom os seus textos. Fez a Cat Power pensar duas vezes antes de sorrir.

    Grande abraço, manolo.

    P.S.¹- O erro no nome cientologia foi proposital, mas corrigido fez mais sentido. Gracias!

    P.S.² - Seus outros pais tem se queixado na demora em seu retorno.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas