Estranha



Estranha que se descortina à beira da aurora,
O infortúnio do erro da atrofiada sorte.
Treme sagaz e a dor emudece,
Jaz tenra, amarga e em nó.

Faz-se pó do que não foi outra coisa,
Pela aresta gasta da conseqüência amedrontada,
Pelas formas tortas da prisão social,
És pura amalgama dos medos que não cometeste.

Jaz triste numa vida que não é sua,
Mentes bem para aqueles a quem a mentira é toda verdade.
Mas vejo em ti a dor que também é minha,
Por isso me cativas o brilho parco que se deixas ver,
Por isso és tão minha, quanto me deixas ser seu.

Storto.'. – 05-04-2013

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