NÃO É PARA TER SENSO

O Suplicante - Picasso


Um pé tocou o outro. Cúmplices, que nem espinafres batidos, entreolham-se estrábicos. “Isso tudo aconteceu na semana que vem”. Pensei alto demais e a parede ouviu.
Bato o carro na pilastra da garagem e o céu desaba, mas passa por
mim. Tartarugas retiram meu corpo inerte das ferragens, dizem que vai ficar tudo bem numa língua que não compreendo ainda.
Depois de chorar duas jujubas, encontro meu avô sentado no colo de meu filho. Ele é diabético e não deveria olhar para o eclipse. Pelo menos, não diretamente.
Saio do hospital com o braço esquerdo erguido, cantando o Hino Nacional e esperando que o tempo mude. Penso em escalar o Everest de sunga, mas ainda estava solteiro.
Algo errado não estava certo, portanto fui visitar Dona Alzheimer, a vidente caolha. Ela viu um futuro brilhante e recomendou o uso de óculos escuros. Tirei um coelho da cartola e entreguei a primeira Alice que vi. “Fim de papo”, disse o sapo.

Lento, rastejou nojento, tropeçou no vento e descansou ao relento.
Chato, tropeçou no mato, caiu como um pato e descalçou o sapato.
Sento, mas por um momento enxerguei cem porcento do ungüento.
Fato, inverdade e desacato, maldade e pau no gato, dom é inato.

L O P E S - 29-11-2012

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