Carta A LOPES II - Parte 1
Nobre amigo,
Hoje estive às faces de um sentimento que compartilhamos, e por falta da presença amiga é que lhe escrevo. Presenciava mentalmente, induzido pelas ondas sonoras de alguns mestres, eventos que emotivamente cultivamos participação. “For Bangladesh” (Harrison), “Farewell” (Baker-Clapton-Bruce), “At The Apollo” (King)...
São momentos inescrupulosos, e nossa fé se confunde com nossa imprudência. Vejo o alterar do sentido de muitos, e a apatia de outros. Em que elementos que nos denigrem são os mesmos que nos enobrecem. E o tempo é tão curto...
Tenho andado contemplativo. Emergindo em poucos momentos de social alegria, mas a poucos causo estranheza. Seria o cinismo do qual nos acusaram? Sou de propósito firme e inviolável, mas já posicionado no Front devo reconhecer que a batalha é dura e a fada verde já não tem cumprido com seu papel. Sabeis tão bem quanto eu que quando os meios são irrelevantes, não existe causa que justifique os males.
Tenho procurado o mais profundo silêncio, e começo a me perguntar se já não o faço sem motivos. A solidão que habita meu espaço se tornou refém de minha vida atribulada. Agora são amantes em mim e tem como varão uma tristeza agonizante e sorrateira em todos os meus fins de tarde.
Tomara Luz!
STORTO – 11-07-2012


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