A bruta flor do querer


Tenho andado enferrujado, e não posso culpar ninguém por causa disso. Em uma avaliação mais precisa, talvez, não culparei nem a mim mesmo (o que me leva a duas possibilidades: ou o valor dessa equação é realmente variável, ou estou realmente em apuros, se não puder, nem mais, atribuir a culpa a mim).
Talvez sejam as escolhas. Mais uma variante inerente a capacidade humana singular. Cada pessoa faz as suas escolhas e as escolhas de cada pessoa recaem sobre as outras, como numa falha sistémica perfeita.
Pensar nisso nos faz lembrar sobre a beleza da vida, a infinita divindade, a possibilidade do insondável e do Caetano Veloso. Me lembro também do “Meranvingian”, do Anakin e que a força sempre estava com “ele”.
Esses dias comecei a escrever uma cronica dizendo que eu havia desistido de alguma coisa. Vinha dirigindo para casa, depois de mais uma decepção social, e as frases foram surgindo à frente como numa canção do “August Rush”. Justificava que a desistência não é uma excepcionalidade na vida, que desistimos até mesmo involuntariamente. Acabei desistindo do texto. Estranha vida não?
Na verdade essas desistências nada mais são que nossas escolhas, atendendo nosso querer. Conclusão lógica! (E pensar que o Caetano já foi tão bom!)
Já culpei minha ferrugem com a falta de tempo, o cansaço e a inspiração. Já tentei achar meios de fazer igual, com caminhos diferentes. Já tentei até mesmo não fazer. Todas elas justificavam mas nunca acalmavam esse coração que não para de trepidar pela vida. E como eu não posso mais usar a piada do Exterminador do Futuro, digo apenas que fico feliz em estar de volta!
STORTO... 12-02-12

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