Devaneios no século passado
Tenho pensado muito comigo mesmo, e parece que acabamos tendo a noção mais exata do fardo que carregamos.
Não estou falando da análise física da vida, mas me acho tão distante da sabedoria que até acredito que o fardo nada pesa, o problema é que não sei a força que tenho.
Tenho aprendido as lições de tolerância de forma desagradável. E mesmo com todas as possibilidades desse texto parecer com auto-ajuda, vou errar cem por cento.
“Goticamente me perdi nos becos escuros da Viena do século XVIII. Sujo, frio. Lembranças de um futuro que não sei se vive vêem à mente como vultos. Parece praia das highlands de uma vida mais próxima. Volto à realidade com um solavanco de uma guarda de capa azul, bem escura, próxima a altura dos cotovelos e capacete coco. Vejo-me torpe, tremulo. Caminho às vezes sem rumo, às vezes sem força. As imagens continuam vindo a mente como em bombardeio incessante. Caio. Contemplo bêbados e prostitutas a passar pela minha frente. Tão sujos ou piores que eu. À distância uma meretriz contrai mais uma doença. Alguns ratos banqueteiam à beira da porta da estalagem. Parece festa! Vejo luz e me levanto. Ando como a quem anseia por justiça de si mesmo. Bem suave contemplo aquele som inaudível anteriormente e tento decifrá-lo, por longos trinta anos...”
Mesmo que o resultado da criação de nossa juventude não seja um conto vienense regado á 9º de Beethoven, temos prenúncios de que para muitos a luz do salão de concerto nunca virá. Seja pela ignorância latente a vida toda. Seja pelo desprezo pelo próprio ser.
Storto... 19-09-2011



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